sábado, agosto 01, 2009

VERTIGEM E SIGNIFICAÇÃO

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O Abismo e a Queda mostram-se ao homem na forma de um absoluto Não. E assim como o náufrago consulta ondas e horizonte em busca de resgate, o homem, em sua trajetória de queda, nada faz senão querer e projetar o sim. É aí que se encontra a fonte de todo projetar e a mola de todo produzir. Terá sido a percepção do Caos, da decrepitude que lhe arrasta e consome, o que levou o homem a conceber a Ordem. O Não é fonte de todo sim. Não foi admiração ou espanto frente à ordem natural quem gerou o filosofar, por exemplo. Mas outro pathos. Foi o sentimento do Caos! Foi o desespero da Queda quem levou o homem ao projeto do Belo, da Harmonia, do Cosmos, da Idéia - ao sim! Pura carência! Pura miséria! Não há sentido que não tenha por base uma vontade de Sim. Supremo esforço de negação ao Não, o sim é síntese de todo e qualquer significado. Mas nenhum sim é mais que tentativa (a tela, frg. 1, é arredia a qualquer cor). Da produção da mais rudimentar ferramenta de pedra à mais refinada abstração, tudo procede deste confronto asfixiante com o absoluto Não. Todo sentido nasce da vertiginosa trajetória de queda. Do Abismo! Na expectativa do "Pan" final. É do Não Nada - que surgem o dever-ser e seu igualmente pálido sósia: o Ser.

5 comentários:

Dora disse...

Edilson. Eu comento, exoplicando a mim mesma...rs O homem é predestinado ao aniquilamento( não abordemos as crenças religiosas).
E também nasce com a capacidade de ter consciência desse aniquilamento, ou Morte.
Mas, ele rejeita, veementemente, esse final de caminho que o leva ao Não(ser).
E desse desespero frente ao Não, brota o desejo do Sim ou o desejo de arranjar o Caos, numa Ordem.
Eu colocaria esse desejo na vontade de Imortalidade, ou seja, permanecer indefinidamente longe do Não-Ser.
Plenamente de acordo: acho que do pavor da queda(mesmo inconsciente em alguns, mas, inerente ao ser homem)nasce a necessidade de afirmação do Sim! E toda a obra de construção da História da humanidade.
"Do Não-Nada surge o Ser"(maiúsculo).
Beleza!
Concordo com a premissa e com os argumentos.
Beijos!!!!!!
Dora

Euza disse...

Depois de ler os 3 ultimos posts e considerando toda a minha ignorância filosofica, tendo explicar porque vivo em busca de abismos. Ou conservo um pé sempre à beira de um. Talvez eu busque sempre o não para encontrar meus sins!
Que sei eu? Depois dos seus textos e do comentario da Dorita, sei apenas que, idiossincrasias à parte, quero continuar em busca de mim! rs...

Beijo, moço!

Euza disse...

Depois de ler os 3 ultimos posts e considerando toda a minha ignorância filosofica, tendo explicar porque vivo em busca de abismos. Ou conservo um pé sempre à beira de um. Talvez eu busque sempre o não para encontrar meus sins!
Que sei eu? Depois dos seus textos e do comentario da Dorita, sei apenas que, idiossincrasias à parte, quero continuar em busca de mim! rs...

Beijo, moço!

clarice ge disse...

Edilson, sempre instigas meus pensamentos desde "O homem do farol". Sempre textos fortes e 'difíceis'. Tenho desde sempre o costume de me colocar na história, talvez por isso alguns textos me calem mais, pedindo reflexão. E creio que isso é filosofar, refletir sobre os saberes existentes e tentar desenhar o meu.
Abraço pra ti

ps1: estou acompanhando também os brilhantes comentários de Dora. ps2: Euza, que também me instiga, inspirada nesse filosofar o transformou artísticamente em poesia.

Edilson Pantoja disse...

Queridas companheiras de Queda, o comentários de vocês é sempre bem-vindo! Dora, Euza, Clarice, e todos os outros, a participação de vocês, seja apenas lendo, seja com comentários, é um grande estímulo!
Sobretudo agora que o fim das férias me rouba quase todo o tempo.
Forte abraço!