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Fotografia de Edilson Pantoja |
“Acho que não.”
Mesmo assim ela sentou-se a meu lado na mureta que deixava nossos pés a mal tocarem a grama. Não disse mais nada. Eu também não disse. Apenas olhei na direção oposta. O vento agitou as árvores, de leve, antes de chegar a nós. Derrubou folhas. Quando passou, era todo café fresco. Pensei no caldeirão de ferro em que se torrava café. Vi mulheres em dupla à beira do pilão, o pu-pu-pu alternado das mãos de pilão. O vai-vém de ancas e saias sob a cantoria secular vinda do Maranhão. Revi o cafezal que rodeava a casa de meu avô. Ouvi-lhe a voz grave num ralho pleno de anteontem. Andei de novo à sombra das mangueiras do caminho. Pensei em pães quentes, manteiga derretida, e flechas de malva... Desconheço em que ela terá pensado. O certo é que ficamos, por todo o resto das horas, a ver o sol deslizar vermelho sobre a baía.
Nossas mãos tocam-se sobre a mureta. Nossos pés roçam a grama. A noite caiu de pára-quedas. Veio só. Se quisesse, bem poderia trazer consigo o fim do mundo...