sexta-feira, janeiro 18, 2008

SALMO 151


Gravura de Osvaldo Goeldi encontrada na internet
Quando virou a esquina o homem se desconheceu. Evidentemente, não pensou em dar um ou dois passos atrás. Ter-se-ia reencontrado, caso o fizesse. Mas sua nova condição não lhe permitiu, sequer, o raciocínio de retroceder. Então, ante o absoluto da novidade, ansiou, ímpeto inconsciente, por quem o tomasse pela mão. Ora - e isto ele também já desconhece -, mas não foi justamente para estar só que dobrou a esquina? E agora, ante ruas mal-iluminadas,  cachorros e gatos de beco, insetos de esgoto, automóveis, prédios e gente apressada, o homem, ato instintivo, despe-se e, como se fosse um nadador profissional, submerge noite adentro...

4 comentários:

CeciLia disse...

Volto como quem não tem paradeiro, poeta.
Volto como quem necessita Albergue
de palavras,
de sentidos,
de identidades.
Como o homem teu, ao dobrar a esquina.
Abraços, te leio aos poucos.
Cecilia

Taxitramas disse...

Tenho lido com frequência este blog. E olha que eu não sou disso (ler blogs).
Há braços!!
Mauro Castro

clarice ge disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fyllos Logos disse...

Primeiramente,minhas licenças para comentar este blog assim como, meu parabéns pela escrita :
-me agradaram muito-.

Bom, sua escrita me lembrou
os Ypisilons já escrito por Adolf Huxley. Pois a falsificação, a articialidade nunca estiveram tão presentes em nossa realidade ,
assim como,as máquinas controladas descritas em 1984 por George Orwell.O Estado conseguiu fazer valer seus planos.O que temos são: seres ocos, sujos,presos no capital alegórico do consumo. Costumo dizer que, são os pseudo selfts, ou seja, mentes já manipuladas pelas imagens arquétipos, já apresentadas por de Jung.Já controlados pelas imagens que se emergem do próprio inconsciente.Enfim,a sociabilidade a muito não existe e sim dura!


Beijos,e um lindo final de semana!!