quarta-feira, fevereiro 14, 2007

O Mambembe

- Mas... E tua família? Tu tens família lá em São Paulo, não tens? Ou sempre foste assim, só, e de um lugar para outro?
- Tive... Você quer ver? Ligue para esse número. Pergunte por mim.
...
- Alô?
- Alô! Bom dia! Eu sou amigo de cicrano. Tem um tempo que não falo com ele. Ele se encontra?
- ... Quem deseja?!
- É fulano. Sou amigo de cicrano. Queria falar com ele. Você é a esposa dele?
- Olha, moço, cicrano... faz muito tempo que ele não dá notícia. Não sabemos nada dele...
- Desculpe! Obrigado!

Devolve o papel com o número de telefone para o ator, que o recebe a esconder o rosto e os olhos úmidos.

8 comentários:

diovvani mendonça disse...

E a vida segue, né? Vamos pulando de galho em galho. Sem esquecermos que, se o tempo não apaga completamente a memória, costuma apagar sentimentos. AbraçoDasGerais.

E.T.: sinto, que você, amigo Edilson, tem andado a mil por segundo, não é?

Claudio Eugenio Luz disse...

Meu caro, somos todos atores nesse grande palco; sempre criando e inventando novos personagens.

hábraços

clarice disse...

A família não sabe dele e talvez ele próprio tenha se perdido. Bem triste. Quem sabe pensou que sua escolha o tornaria feliz e optou por um caminho de perdas e semn retorno.
beijos querido amigo

Ceci disse...

Bem disse a Clarice.... "caminho de perdas...". Mas retorno deve haver a possibilidade, só que ele não vê, perdido está. Todos nós nos perdemos alguma vez, importante querer se achar.... Abraço pra vc!

Jefferson P. disse...

Intrigante.
Abrçs

jefferson p.

marcos pardim disse...

salve edilson. hoje cheguei um pouco atrasado para o café da manhã deste albergue, mas ainda deu tempo de desconfiar que sempre haveremos de deixar, em algum lugar do passado, alguém (ou alguns) à espera de notícias. viver é fodaço, e nem sempre damos conta da delicadeza que ele exige.
1 abraço

marcos pardim disse...

apenas uma correção, meu caro: no final do comentário, quis dizer delicadeza que ela exige, ok!

Fátima disse...

Quantos de nós deixamos de dar notícias nossas a alguém e deixamos de ter notícias de pessoas que nos eram tão estimadas numa certa época. Este fato me incomoda, pois há pessoas com as quais gostaria de ainda dizer pelo menos um simples "oi, como vai?". E assim ter a chance de estender o papo.