domingo, julho 19, 2009

VERTIGEM E SIGNIFICAÇÃO

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Cair no precipício é próprio do homem. Este cair não se expressa como sujeição à lei da gravidade. O precipitar-se da pedra, que por alguma causa se desprendeu da montanha, não tem a ver com o do homem. Para este, o cair não resulta de um desprendimento, de um soltar-se do meio protetor: tem a ver com o ser sempre em perigo. Nascer é cair. A queda é sem resgate ou transcendência. Ante ao cair assim descrito o homem sente-se mal. A vertigem gera ilusões. Resgate e transcendência têm muitos nomes e sentidos. Ilusão é o significado último de todos eles. Ilusão é paliativo pelo qual o homem fecha os olhos à queda. É como diz a si mesmo: “Não olhe para baixo!

12 comentários:

clarice ge disse...

e por não ser pedra, cair é circunstancial, sair do abismo é o desafio.
bjs Edilson

Euza disse...

Como disse a Cla, o grande desafio é sair do abismo. Mas algumas ilusões nos ajudam na subida, viu? rs...
Muito interessante seu blog! Embora eu seja nula em filosofia, tenho uma atração enorme pelo pensar filosofico. E aqui há muito para mexer com a gente.
Beijocas

CeciLia disse...

É que ccair, meu caro, em não se sendo pedra, é sempre escolha. Sempre. Como diria o quintana, teu texto é "duro como Deus", e isso é um elogio, visse? .
Abraço

Dora disse...

Então, Edilson. A consciência de que "nascer é cair" já me parece meio caminho andado para se livrar das armadilhas da ilusão de "não olhar a queda".
Você acredita na possibilidade do "super-homem" de Nietszche?
Acredito que poucos homens consigam abrir mão de ilusões.
Penso que o mais adequado seja viver de ilusão, conscientemente...
Abraço!
Dora

Vanessa disse...

Olá, obrigada pela visita, gostei muito daqui! Virei mais vezes.

abraço

Germano Xavier disse...

Pantoja,

vim aqui reforçar meu novo endereço. Agora escrevo no www.oequadordascoisas.blogspot.com

Também participo do Brumas de Marte.

Tua presença é contrutiva.
Abraço forte, meu caro.

Rudinei Borges disse...

Mestre Edilson, como vc escreve e quanto vc escreve. Gostei de passar por aqui.

Germano Xavier disse...

Cair, ruir, desabar. Verbos que conjugamos eternamente, nós, humanos destituídos de asas, pesados como uma bigorna de bronze.

Abraço forte, Pantoja.
Continuemos...

marcos pardim disse...

para este pintor que, para exibir-se em suas teas, utiliza-se de matéria própria de si mesmo, iludir-se é pré-condição para assinatura do contrato de nascer e existir... grande abraço.

ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rubens da Cunha disse...

excelente projeto, fragmentos densos, "nascer é cair" grandiosa verdade.
abraços
Rubens

Caceres disse...

A questão é quando olhar pra baixo se torna inevitável.